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A day at my writing desk

A day at my writing desk

Um dia na minha mesa de escrita

Muita gente imagina o escritor como alguém que acorda inspirado, senta numa cadeira de couro, olha pela janela e escreve páginas perfeitas até o almoço.
Não é assim. Pelo menos, não para mim.
Minha mesa de escrita não é um lugar fixo. Às vezes é a mesa da sala, às vezes é um canto da cozinha, às vezes é o próprio colo, com o computador apoiado enquanto o resto da vida acontece ao redor. Escrevo entre uma obrigação e outra — entre aulas, pesquisas, leituras e as tarefas que a vida impõe.
Não tenho um horário sagrado. Tenho frestas. Escrevo quando posso, não quando quero. E aprendi que é assim que o livro avança: não nos dias perfeitos, mas nos dias possíveis.
Há dias em que escrevo 2.000 palavras. Há dias em que escrevo 20. E há dias em que só releio o que já escrevi, corrijo uma frase, apago um parágrafo. Tudo conta. Tudo é escrita.
O que me mantém não é a inspiração. É o compromisso. É lembrar por que comecei. É saber que há uma história que só eu posso contar — e que se eu não contar, ela se perde.
Quando o cansaço chega, eu paro. Tomo água. Ando um pouco. Volto. Porque escrever não é só sentar e digitar: é insistir.
A mesa é só o lugar. O trabalho acontece dentro.
E é isso que ninguém vê: o silêncio, a dúvida, a teimosia. O dia inteiro pensando numa frase. A noite inteira acordado com uma ideia.
Se você também escreve, saiba: não precisa de uma mesa perfeita. Precisa de vontade. O resto a gente improvisa.

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📸 @imatsinhe22

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