A question readers ask me
A pergunta que os leitores sempre me fazem.
Desde que "Antes do Atlântico" foi publicado, recebo mensagens de leitores. Muitas são elogios. Algumas são perguntas. E há uma pergunta que se repete mais do que qualquer outra:
"Você pensa em voltar para Moçambique?"
Não é uma pergunta simples. E nunca respondo com um "sim" ou um "não".
Moçambique é a minha infância. É a minha língua. É a minha família. É o lugar onde aprendi a andar, a falar, a rezar. É a terra que me formou. Voltar, no sentido de visitar, eu volto sempre — com o coração, com a memória, com a escrita.
Mas voltar para ficar? Essa é outra pergunta.
Quando a gente atravessa um oceano, a gente não deixa apenas um lugar. A gente deixa uma versão inteira de si mesmo. O menino que saiu de Moçambique não existe mais. E o homem que vive hoje no Brasil também não caberia completamente naquele outro tempo.
Então a resposta honesta é: eu volto sempre, mas nunca para o mesmo lugar. Porque nem Moçambique é o mesmo. Nem eu sou o mesmo.
O que faço, então? Escrevo. Escrevo para manter Moçambique vivo dentro de mim. Escrevo para que meus leitores conheçam o lugar de onde venho. Escrevo porque a escrita é a única travessia que posso fazer todos os dias.
Se você já me fez essa pergunta, agora sabe a resposta. E se você também deixou um lugar — um país, uma cidade, uma casa — talvez entenda o que estou dizendo.
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📸 @imatsinhe22
