O dia em que decidi atravessar o oceano
Houve um dia em que decidi atravessar o oceano. Não foi um dia dramático. Não houve lágrimas, nem despedidas, nem certeza. Foi um dia comum. Um dia em que percebi que não podia ficar.
Moçambique é a minha terra. É a minha infância. É a minha língua. É a minha família. É o lugar onde aprendi a andar, a falar, a rezar. Mas havia um chamado — algo dentro de mim que dizia que a minha história continuava do outro lado do mar.
Não foi fácil decidir. Tive medo. Tive dúvidas. Tive noites em claro. Mas havia algo mais forte do que o medo: a certeza de que Deus estava a abrir um caminho que eu não via.
Quando o avião levantou voo, olhei pela janela. Vi Moçambique a desaparecer por baixo das nuvens. E percebi que não estava só. A mão de Deus ia comigo.
O visto saiu em um dia — enquanto as aulas já tinham começado na Universidade Federal de Rondônia. Não havia dinheiro, não havia garantias, não havia plano B. Só havia fé. E foi a fé que me sustentou.
O que vinha depois, eu não sabia. Mas sabia que precisava ir. E sabia que Aquele que me chamou não me abandonaria.
Se você também está diante de uma decisão difícil — de partir, de mudar, de tentar algo novo — saiba: o medo não é sinal de fraqueza. É sinal de que algo importante está para acontecer. E às vezes, é Deus a empurrar-nos para o que não conseguiríamos alcançar sozinhos.
Toda travessia começa com um passo. E o meu começou naquele dia — guiado pela mão de Deus.
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📸 @imatsinhe22
