O que aprendi escrevendo meu primeiro livro
Quando comecei a escrever "Antes do Atlântico", eu não sabia o que estava a fazer. Nunca tinha escrito um livro literário. Tinha escrito livros científicos, artigos, teses — mas nunca uma história que fosse minha.
Aprendi muito no processo. E quero partilhar algumas coisas.
- A memória não é um documento.
Pensei que escrever as minhas memórias fosse só sentar e lembrar. Não é. A memória é fragmentada. Às vezes, o que eu lembrava não era o que aconteceu. Tive que perguntar a familiares, comparar versões, aceitar que a minha verdade não era a única.
- Escrever é escolher.
Cada página que escrevi exigiu uma escolha. O que entra, o que fica de fora, o que conto, o que guardo só para mim. No início, queria contar tudo. Depois percebi que o livro não é um diário. É uma história. E uma história precisa de corte.
- A primeira pessoa é difícil.
Escrever "eu" é muito mais difícil do que escrever "o estudo mostra". Porque o "eu" pode ser julgado. O "eu" expõe. Mas também é o que dá verdade ao texto.
- O livro não termina quando acaba.
Pensei que, ao escrever a última palavra, tudo acabaria. Não acabou. Continuo a lembrar-me de coisas que devia ter incluído. Continuo a aprender com o livro. Continuo a viver a história que escrevi.
- Escrever é um ato de coragem.
Não é fácil colocar a nossa vida no papel. Não é fácil mostrar as nossas fragilidades. Mas é necessário. Porque há histórias que precisam ser contadas — antes que desapareçam.
Se você está a pensar em escrever o seu primeiro livro, escreva. Não espere pelo momento perfeito. Não espere estar pronto. Porque nunca estaremos prontos. Mas o livro que escrevermos é o livro que o mundo vai ler.
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📸 @imatsinhe22
