O que aprendi escrevendo sobre a minha família
Quando comecei a escrever a biografia do meu pai, em 2016, pensei que estava apenas a fazer um favor. Ele queria a história dele registada, e eu sabia escrever. Parecia simples.
Não era.
Escrever sobre a própria família é entrar num território onde a memória de cada um é diferente. Onde as histórias se contradizem. Onde há silêncios que ninguém quer quebrar.
Aprendi que:
- A memória não é um documento.** Cada pessoa lembra de um jeito. O que para mim aconteceu de um jeito, para outro aconteceu de outro.
- Há histórias que ninguém quer contar.** E há histórias que ninguém quer ouvir. Escrever sobre a família é aprender a respeitar os silêncios.
- Escrever é uma forma de amar.** Cada palavra que escrevi sobre o meu pai foi uma forma de dizer: "A tua história importa."
- A minha história também importa.** Foi o que descobri no meio do processo. Ao escrever a história dele, percebi que também tinha a minha.
- Nunca estamos prontos.** Ainda hoje, quando releio o que escrevi, encontro coisas que mudaria. Mas o livro está feito. E isso é o que importa.
Escrever sobre a família é escrever sobre nós mesmos. E é sempre mais difícil do que imaginamos.
Mas vale a pena.
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@imatsinhe22
